Marketing médico: o que o CFM permite e proíbe
Marketing médico e publicidade: o que o CFM permite e proíbe em redes sociais, antes e depois, preços, depoimentos, selfies e divulgação de especialidade.
Equipe Stenci22 de julho de 20267 min de leitura
As regras de marketing médico estão na Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024. Ela permite bastante coisa que antes era proibida: divulgar preços, fazer campanhas com desconto, postar selfies, mostrar equipamentos e usar antes e depois com finalidade educativa. Continua proibido prometer resultado, fazer sensacionalismo, identificar pacientes e se anunciar especialista sem RQE. Neste artigo você vê o que é obrigatório em toda peça, o que pode e o que não pode nas redes, e como montar um conteúdo que atrai pacientes sem risco ético.
O que mudou com a Resolução 2.336/2023
A resolução foi publicada em 13 de setembro de 2023 e entrou em vigor 180 dias depois. Ela revogou a Resolução CFM nº 1.974/2011 e também as Resoluções nº 2.126/2015 e nº 2.133/2015.
A principal mudança é de enfoque. A norma reconhece as redes sociais próprias do médico e da clínica como canais legítimos para formar, manter e ampliar clientela. Sites, blogs, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagem entram nessa categoria, incluindo os que surgirem no futuro.
Junto com a resolução, o CFM publicou o Manual da Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame), que detalha a aplicação das regras. O site publicidademedica.cfm.org.br reúne a resolução comentada.
O que toda peça precisa ter
Qualquer publicidade médica deve trazer:
- nome do médico, número de registro no CRM e a palavra MÉDICO;
- especialidade ou área de atuação, quando registrada no CRM, seguida do número do RQE.
Nas redes sociais, blogs e sites, esses dados devem estar na página principal do perfil. Conteúdos temporários, como stories, seguem as mesmas regras.
Para clínicas e outros estabelecimentos, a peça deve mostrar o nome do estabelecimento com o registro no CRM e o nome do diretor técnico médico, com CRM e, onde for exigido, especialidade e RQE. Quem responde pela publicidade da clínica perante o CRM é o diretor técnico médico.
Um detalhe que pega muita gente: se o médico usa o mesmo perfil para vida pessoal e profissional, o perfil inteiro segue a resolução.
Título de especialista e RQE
Só é especialista, para fins de publicidade, quem tem RQE. As regras de divulgação da qualificação:
- Especialista: a especialidade registrada no CRM com o número do RQE. Pode divulgar até duas especialidades e as áreas de atuação relacionadas.
- Pós-graduação lato sensu cadastrada no CRM: “MÉDICO com pós-graduação em (área)”, seguido de NÃO ESPECIALISTA, em caixa alta.
- Mestrado ou doutorado cadastrado no CRM: mesma lógica, com NÃO ESPECIALISTA em caixa alta.
Quem não é especialista também não pode divulgar que trata de um órgão, sistema ou doença específica, porque isso confunde o paciente com a divulgação de especialidade. É uma das infrações mais comuns em bio de perfil.
O que pode e o que não pode
A tabela resume os pontos que mais aparecem no dia a dia. Os artigos citados são da Resolução 2.336/2023.
| Pode | Não pode |
|---|---|
| Postar selfies, fotos e vídeos do ambiente de trabalho e da equipe (arts. 8º e 9º) | Selfie ou conteúdo com sensacionalismo ou concorrência desleal (art. 8º) |
| Informar valor da consulta e formas de pagamento (art. 9º) | Oferecer serviços por consórcio (art. 11) |
| Anunciar descontos em campanhas promocionais (art. 9º) | Vincular promoção a venda casada ou premiação (art. 9º) |
| Mostrar equipamentos com indicações aprovadas pela Anvisa (art. 9º) | Atribuir capacidade privilegiada a aparelhos (art. 11) |
| Antes e depois educativo, com complicações e sem identificar o paciente (art. 14) | Editar, manipular ou melhorar as imagens (art. 14) |
| Repostar depoimentos sóbrios de pacientes (art. 14) | Garantir, prometer ou insinuar bons resultados (art. 11) |
| Divulgar resultados comprováveis sem identificar pacientes (art. 9º) | Transmitir consultas e procedimentos em tempo real ao público (art. 11) |
| Explicar como marcar consulta, horários e convênios aceitos (art. 9º) | Anunciar atendimento gratuito em consultório privado (art. 11) |
| Organizar cursos educativos para leigos e anunciar valores (art. 9º) | Aceitar entrar em listas como “melhor médico” ou “médico do ano” (art. 11) |
Redes sociais: os cuidados que mais importam
Repostar é publicar
Tudo o que o médico compartilha em suas redes, inclusive posts de pacientes e de terceiros, passa a contar como publicação dele. Se o paciente escreveu algo exagerado e você repostou, a responsabilidade é sua.
A resolução vai além: elogios de terceiros à técnica e ao resultado, mesmo sem repostagem, podem ser investigados pela Codame quando aparecem de forma reiterada ou sistemática.
Selfies e bastidores
Selfie deixou de ser proibida. Mostrar o consultório, a equipe e a rotina é permitido, desde que o conteúdo não tenha tom sensacionalista. O cuidado está em não aparecer paciente, prontuário ou tela com dados de saúde no fundo da foto.
Comentários sobre a alegria com o trabalho e os desafios da profissão também são permitidos, desde que não identifiquem pacientes nem desrespeitem colegas.
Depoimentos
Depoimentos e autorretratos de pacientes repostados precisam ser sóbrios, sem adjetivos que indiquem superioridade e sem induzir promessa de resultado. “Fui muito bem atendida” passa. “O melhor médico da cidade, resultado perfeito” não passa.
Antes e depois: permitido, com condições
A imagem de antes e depois é permitida com finalidade educativa. As condições do art. 14:
- vir acompanhada de texto educativo com as indicações, os fatores que influenciam o resultado e as complicações descritas na literatura;
- mostrar um conjunto de imagens com evoluções satisfatórias, insatisfatórias e complicações;
- quando aplicável, mostrar diferentes biotipos e faixas etárias, e evoluções imediatas, mediatas e tardias;
- não identificar o paciente;
- não editar, manipular ou melhorar a imagem;
- ter autorização do paciente quando a imagem for do banco do próprio médico, respeitando pudor, privacidade e anonimato;
- citar a origem quando a imagem vier de banco de imagens.
Na prática, um antes e depois que mostra só o caso de sucesso não cumpre a regra. Áreas como a dermatologia usam muito esse recurso e precisam de atenção redobrada.
Preços e promoções
Divulgar valor de consulta, meios e formas de pagamento é permitido. Para procedimentos particulares, o médico pode informar que o valor será combinado com o paciente antes do atendimento.
Campanhas com desconto também são permitidas. O que continua proibido é a venda casada e a premiação, como “faça a consulta e ganhe o exame” ou sorteio vinculado a procedimento, porque desvirtua a medicina. Consórcio de serviços médicos segue vedado.
Entrevistas e imprensa
Em entrevistas e artigos em veículos que não são do médico, a regra muda. O médico fala como representante da medicina e não pode usar a ocasião para angariar clientela. É vedado divulgar endereço, telefone ou site nessas aparições, exceto os dados obrigatórios de identificação. E o médico deve declarar seus conflitos de interesse.
Dicas práticas de conteúdo
Seguir a resolução não significa ter um perfil sem graça. Algumas ideias que funcionam dentro das regras:
- Responda às perguntas que você ouve no consultório. Sinais que pedem avaliação, preparo de exames, mitos comuns da sua área.
- Mostre como funciona a clínica. Como agendar, horários, convênios aceitos, estacionamento e acessibilidade são permitidos e reduzem ligações.
- Apresente a equipe. Médicos e demais profissionais, sempre com os dados obrigatórios.
- Crie um calendário editorial. Datas de campanhas de saúde e temas sazonais da especialidade.
- Revise antes de postar. Tem nome, CRM e RQE? Algum paciente aparece? Há promessa de resultado? Algum adjetivo de superioridade?
Se surgir dúvida, a própria resolução garante o direito de consultar a Codame do seu CRM antes de publicar. Para campanhas maiores, vale também a opinião de um advogado da área.
Relacionamento com o paciente vai além das redes
Boa parte do crescimento de uma clínica vem de quem já é paciente. Um atendimento pontual, confirmação da consulta e lembrete de retorno fazem mais pela reputação do que qualquer post. Veja como montar essa rotina no artigo sobre confirmação por WhatsApp.
A Stenci tem alertas de retorno para fidelização e um módulo adicional de marketing médico, com pesquisa de satisfação, e-mail marketing, chatbot e integração com RD Station e Pipedrive. Os detalhes estão nos planos. Lembre que dados de saúde são sensíveis pela LGPD: comunicação de marketing não deve expor diagnóstico ou tratamento do paciente.
Conclusão
A Resolução CFM 2.336/2023 abriu espaço para o médico se comunicar melhor: preços, promoções, selfies, equipamentos e antes e depois educativo agora são permitidos. Os limites seguem claros: identificação completa com CRM e RQE, nada de promessa de resultado, nada de sensacionalismo e nenhum paciente identificado. Com um roteiro de revisão antes de postar e consulta à Codame nos casos duvidosos, dá para crescer com segurança. Se quiser ver como a Stenci ajuda no relacionamento com os pacientes, agende uma demonstração.