Gestão financeira de clínica: como organizar o financeiro
Guia de gestão financeira de clínica: separar PF e PJ, caixa diário, contas a pagar e receber, fluxo de caixa, DRE, conciliação bancária e indicadores.
Equipe Stenci29 de julho de 20267 min de leitura
Organizar a gestão financeira de uma clínica é registrar todo dinheiro que entra e sai, no dia em que acontece, e olhar esses números com regularidade. Na prática, isso significa separar as contas da pessoa física e da clínica, fechar o caixa todo dia, controlar contas a pagar e a receber, conferir tudo com o extrato do banco e ler o resultado do mês. Neste guia você vê cada uma dessas etapas, como pensar o preço da consulta e quais indicadores acompanhar para decidir com número.
Separe a pessoa física da clínica
Esse é o primeiro passo e o que mais clínica pequena pula. Quando a conta do consultório paga a escola dos filhos e o cartão pessoal paga o aluguel da sala, nenhum relatório fecha.
- Tenha conta bancária e maquininha de cartão no CNPJ da clínica.
- Pague as despesas da clínica só pela conta da clínica.
- Defina uma retirada mensal para os sócios, em vez de tirar dinheiro quando falta.
- Nunca use o caixa da recepção para despesa pessoal.
A forma de retirada, seja pró-labore, distribuição de lucros ou as duas, tem efeitos tributários e previdenciários diferentes. Defina com o seu contador.
Organize as contas antes de lançar
Antes de lançar qualquer valor, monte um plano de contas simples. Ele é a lista de categorias de receita e despesa que você vai usar sempre.
- Receitas: consultas particulares, consultas por convênio, procedimentos, exames, outras receitas.
- Custos diretos: repasse aos profissionais, materiais, medicamentos, laboratório terceirizado.
- Despesas fixas: aluguel, folha, sistema, contabilidade, energia, internet, limpeza.
- Impostos e taxas: tributos sobre a receita, taxas de cartão, tarifas bancárias.
Se a clínica tem mais de uma unidade ou especialidade, use centros de custo para saber quanto cada uma dá de resultado.
Contas a receber
Particular
Registre a forma de pagamento de cada atendimento: dinheiro, Pix, débito ou crédito, à vista ou parcelado. No cartão, anote a data prevista de crédito e a taxa. O valor que o paciente pagou não é o valor que cai na conta.
Se a clínica vende pacotes ou recebe adiantado, controle o saldo de cada paciente. Assim você sabe quanto já foi pago e quanto ainda deve ser atendido.
Convênio
O dinheiro do convênio chega depois do lote enviado e processado. Por lei, o contrato entre a operadora e o prestador precisa definir os prazos e procedimentos para faturamento e pagamento. Tenha esses prazos à mão e acompanhe cada lote: data de envio, valor enviado, valor pago e glosas. Glosa não registrada vira dinheiro que ninguém percebe que faltou. Veja como evitar glosas no faturamento TISS.
Contas a pagar
Lance toda despesa no momento em que ela nasce, com valor, vencimento e categoria. Não espere o boleto vencer.
- Separe fixas e variáveis. As fixas mostram quanto a clínica precisa faturar para empatar.
- Inclua o repasse dos profissionais como conta a pagar, com data prevista.
- Programe os impostos com antecedência. Eles não avisam.
- Guarde o comprovante junto do lançamento.
Caixa diário da recepção
O caixa diário é onde a maior parte das diferenças aparece. A rotina precisa ser a mesma todo dia.
- Abertura: a recepcionista abre o caixa com o valor de troco conferido.
- Lançamentos: cada recebimento é registrado no momento, vinculado ao atendimento e à forma de pagamento.
- Sangria: retirada de dinheiro durante o dia é lançada, com motivo.
- Fechamento: conferência por forma de pagamento. O dinheiro contado bate com o registrado, e os comprovantes de cartão e Pix batem com o sistema.
- Diferença: qualquer diferença é registrada e justificada no mesmo dia.
Com mais de uma pessoa na recepção, cada operador deve ter o seu caixa. Caixa compartilhado não tem responsável. Na Stenci, o caixa tem abertura e fechamento por operador, dentro do financeiro.
Fluxo de caixa: o que aconteceu e o que vem
O fluxo de caixa mostra entradas e saídas por data em que o dinheiro de fato se move. Ele tem duas partes.
- Realizado: o que entrou e saiu. Serve para conferir o passado.
- Projetado: o que deve entrar e sair nas próximas semanas, a partir das contas a receber e a pagar. Serve para evitar surpresa.
A projeção é a parte mais útil. Ela avisa que o convênio vai pagar só no mês seguinte e que, nessa mesma semana, vence o aluguel e o repasse. Com essa informação, você negocia um prazo, adia uma compra ou separa reserva antes de faltar dinheiro.
DRE: a clínica dá lucro?
Caixa positivo não significa lucro. A DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) mostra se a operação do mês gerou resultado, considerando receitas e despesas pela competência, ou seja, pelo mês em que aconteceram, e não pelo dia em que foram pagas.
Uma DRE gerencial simples tem esta estrutura:
| Linha | O que entra |
|---|---|
| Receita bruta | Todos os atendimentos do mês, particular e convênio |
| (-) Deduções | Tributos sobre a receita, glosas, descontos |
| = Receita líquida | |
| (-) Custos diretos | Repasse, materiais, medicamentos |
| = Margem de contribuição | Quanto sobra para pagar a estrutura |
| (-) Despesas fixas | Aluguel, folha, sistema, contabilidade |
| = Resultado operacional | Lucro ou prejuízo da operação |
A DRE contábil oficial é feita pelo contador. A gerencial é sua, para decidir: se a margem de um convênio não paga a estrutura, se uma especialidade dá prejuízo, se dá para contratar mais uma pessoa.
Conciliação bancária
Conciliar é conferir cada lançamento do sistema com o extrato do banco. É o que garante que o financeiro mostra a realidade.
- Cartões: o valor creditado bate com a venda menos a taxa contratada? A data do crédito está certa?
- Convênios: o valor pago bate com o lote enviado? A diferença é glosa ou erro?
- Pix e transferências: cada entrada está ligada a um paciente ou atendimento?
- Tarifas: o banco cobrou algo que não foi lançado?
Faça ao menos uma vez por semana. Conciliar só no fim do mês transforma pequenas diferenças em uma pilha difícil de explicar.
Como pensar o preço da consulta
Preço de consulta não se define só olhando o vizinho. Uma forma simples de começar é partir do custo.
- Some as despesas fixas mensais da clínica.
- Divida pelo número de atendimentos que a clínica consegue fazer no mês com a agenda real. Esse é o custo fixo por atendimento.
- Some os custos variáveis do atendimento: repasse, materiais, taxa de cartão e tributos sobre a receita.
- Acrescente a margem que você quer ter.
Exemplo fictício: uma clínica com R$ 30.000,00 de despesas fixas e capacidade para 400 atendimentos no mês tem R$ 75,00 de custo fixo por atendimento. Se a agenda ficar pela metade, esse custo sobe para R$ 150,00. Por isso ocupação de agenda é assunto financeiro.
Depois, compare o resultado com o que o seu público paga e com o valor que cada convênio oferece. Se a tabela de um convênio não cobre o custo, você decide com clareza se vale manter. E lembre que o Código de Ética Médica veda ao médico deixar de ajustar previamente com o paciente o custo estimado dos procedimentos. Informe o valor antes do atendimento.
Indicadores para acompanhar
Você não precisa de dezenas de indicadores. Estes cinco já mostram quase tudo.
| Indicador | Fórmula | O que mostra |
|---|---|---|
| Ticket médio | Receita do período ÷ número de atendimentos | Quanto rende, em média, cada atendimento |
| Taxa de ocupação da agenda | Horários ocupados ÷ horários disponíveis | Quanto da capacidade está sendo usada |
| Taxa de faltas | Faltas ÷ agendamentos do período | Horários perdidos por paciente que não veio |
| Prazo de recebimento de convênios | Dias entre o envio do lote e o pagamento, por convênio | Quanto tempo o dinheiro fica parado |
| Inadimplência | Valor vencido e não recebido ÷ total a receber vencido no período | Quanto do que devia entrar não entrou |
Olhe cada indicador por profissional, convênio e mês. O valor isolado diz pouco. A tendência diz muito. Se a taxa de faltas sobe, a agenda perde capacidade e o custo por atendimento aumenta. Veja como reduzir faltas com confirmação por WhatsApp.
Acompanhar esses números em planilha exige disciplina. Os dashboards e relatórios de gestão da Stenci ajudam a acompanhar esses números sem montar planilha.
A rotina financeira
- Todo dia: fechar o caixa de cada operador e lançar as despesas do dia.
- Toda semana: conciliar o banco, conferir recebimentos de cartão e revisar o fluxo projetado.
- Todo mês: conferir os lotes de convênio pagos e glosados, fechar o repasse, ler a DRE e os indicadores e enviar a documentação ao contador.
Conclusão
A gestão financeira de uma clínica não depende de fórmula complicada. Depende de separar pessoa física e clínica, lançar tudo no dia, fechar o caixa, conciliar com o banco e ler o resultado com regularidade. Com esses dados em ordem, preço, convênios e contratações deixam de ser palpite. Para as decisões tributárias, conte sempre com o seu contador. Se quiser ver como a Stenci organiza o financeiro da sua clínica, agende uma demonstração.