Faturamento

Guias TISS: tipos, quando usar cada uma e como preencher

Conheça os tipos de guias TISS, quando usar cada uma, os campos que mais geram erro, como montar lote e XML e o papel da autorização prévia e da senha.

Equipe Stenci17 de junho de 20269 min de leitura

Guias TISS são os formulários padronizados pela ANS para pedir autorização e cobrar atendimentos de beneficiários de planos de saúde. Cada tipo tem um uso: a guia de consulta cobra consultas eletivas, a SP-SADT cobre exames, terapias e procedimentos fora da internação, e as guias de internação, de honorários e o anexo de outras despesas cuidam do que acontece no hospital. Usar a guia errada ou deixar um campo inconsistente é o caminho mais curto para a conta voltar. Neste artigo você vê os tipos de guia e quando usar cada uma, os campos que mais geram erro, como funcionam o lote e o XML, o papel da autorização prévia e da senha e o que observar nos prazos de envio.

O que é o padrão TISS

TISS é a sigla de Troca de Informações na Saúde Suplementar. É o padrão obrigatório da ANS para a troca eletrônica de dados de atendimento entre prestadores e operadoras, instituído pela Resolução Normativa ANS nº 501/2022. O padrão define quais guias existem, quais campos cada uma tem, como os dados vão no arquivo XML e quais códigos usar.

Os códigos vêm da TUSS, a Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, estabelecida e atualizada pela ANS. É ela que identifica procedimentos, materiais, medicamentos, taxas e diárias nas guias.

A ANS publica versões novas do padrão ao longo do ano. A página do padrão TISS no site da agência mostra a versão vigente, e cada atualização tem um prazo para ser implantada. Por isso, antes de trocar de versão, confirme com cada operadora qual ela está aceitando.

Tipos de guia TISS e quando usar cada uma

O componente organizacional do padrão, publicado pela ANS, descreve o uso de cada guia e como elas se ligam umas às outras. A tabela resume o essencial.

Guia Para que serve Exemplo típico
Consulta Cobrar consulta eletiva Consulta de rotina no consultório
SP-SADT Pedir autorização e cobrar consultas com procedimento, exames, terapias e procedimentos em paciente não internado Consulta com eletrocardiograma, sessão de fisioterapia, exame de imagem
Solicitação de internação Pedir autorização de internação hospitalar, hospital-dia ou domiciliar Cirurgia eletiva agendada
Resumo de internação Cobrar a internação Conta hospitalar da cirurgia
Honorários Cobrança de honorários feita pelo próprio profissional, ligada a uma internação Cirurgião ou anestesista que fatura separado do hospital
Anexo de outras despesas Detalhar materiais, medicamentos, gases, OPME, taxas, aluguéis e diárias Material usado em um procedimento no consultório
Tratamento odontológico Pedir autorização e cobrar tratamento odontológico Plano de tratamento de um paciente de plano odontológico

Guia de consulta

Serve só para a cobrança de consultas eletivas e não se liga a nenhuma outra guia.

O erro clássico é usar a guia de consulta quando houve procedimento no mesmo atendimento. Se o médico fez um exame ou um pequeno procedimento junto com a consulta, a cobrança vai na SP-SADT. Atenção também ao campo de tipo de consulta: primeira consulta e retorno têm regras diferentes em cada contrato.

Guia SP-SADT

SP-SADT quer dizer Serviço Profissional e Serviço Auxiliar de Diagnóstico e Terapia. É a guia mais versátil do padrão e serve tanto para pedir autorização quanto para cobrar. Use para:

  • consultas com procedimento ou com despesas;
  • exames, terapias e procedimentos em paciente não internado;
  • procedimentos em paciente internado, quando feitos por serviço terceirizado.

Quando outros profissionais participam, como anestesista ou auxiliar, a guia tem um quadro para identificar cada um com o grau de participação. Se um desses profissionais cobra diretamente, ele usa outra SP-SADT e informa o número da guia principal no campo próprio.

Solicitação e resumo de internação

A guia de solicitação de internação pede a autorização. A guia de resumo de internação faz a cobrança, inclusive dos honorários quando é o hospital que cobra. Se a internação precisar de mais dias ou de novos procedimentos, existe a guia de solicitação de prorrogação de internação ou complementação do tratamento, que sempre informa o número da solicitação original.

Esse número da solicitação de internação é o que liga todas as guias de um mesmo evento. Se ele estiver errado em uma delas, a operadora não consegue juntar a conta.

Guia de honorários

No dia a dia muita gente chama de guia de honorário individual. Ela serve para o profissional cobrar os próprios honorários diretamente da operadora e só pode ser vinculada a uma guia de solicitação de internação. Procedimento ambulatorial não usa guia de honorários: nesse caso, a cobrança vai na SP-SADT.

Anexo de outras despesas

Não é uma guia com número próprio. É um anexo que sempre aponta para uma SP-SADT ou para um resumo de internação. Nele entram gases medicinais, medicamentos, materiais, OPME, taxas, aluguéis e diárias ligados àquele atendimento.

Um detalhe que gera devolução: o número sequencial de cada item não pode se repetir dentro da mesma guia, contando também os itens do anexo.

Guia de tratamento odontológico

Serve para pedir autorização e cobrar tratamento odontológico, e também pode comprovar a presença do beneficiário. Quando o tratamento continua em outra guia, a nova informa o número da guia anterior. Existe ainda o anexo de situação inicial, que registra como estava a boca do paciente antes do tratamento.

Outros anexos e guias

O padrão também tem os anexos de solicitação de OPME, de quimioterapia e de radioterapia, sempre ligados a uma SP-SADT ou a uma solicitação de internação, e a guia de comprovante presencial. Para quando o envio eletrônico não funciona, existem os modelos em papel do plano de contingência.

Campos que mais geram erro

A maior parte das devoluções vem de poucos campos. Tenha uma lista de conferência para eles.

Beneficiário

  • Número da carteirinha e validade na data do atendimento.
  • Nome igual ao do cadastro da operadora.
  • Plano informado diferente do plano real.

Profissional

  • Conselho, número e UF do profissional executante.
  • CBO compatível com o procedimento.
  • Profissional que atendeu diferente do que está na guia.

Atendimento

  • Data do atendimento diferente da data real ou fora da validade da senha.
  • Caráter do atendimento (eletivo ou urgência) e tipo de atendimento incoerentes.
  • Campo de indicação de acidente em branco ou errado.

Procedimento e valores

  • Código TUSS errado ou fora de vigência.
  • Quantidade maior que a autorizada.
  • Valor diferente do contratado.

Vínculo entre guias

  • Número da guia principal ou da solicitação de internação ausente ou errado.
  • Anexo de outras despesas apontando para a guia errada.

O impacto de cada um desses erros no pagamento, e como organizar os recursos, está no artigo sobre como evitar glosas no faturamento TISS.

Lote e XML

As guias seguem em lotes, dentro de um arquivo XML no formato definido pela ANS.

Como o lote funciona

O padrão prevê duas mensagens de envio. O lote de guias leva a cobrança de consultas, SP-SADT, resumos de internação, honorários e odontologia. O lote de anexos leva a situação inicial de odontologia e as solicitações de quimioterapia, radioterapia e OPME.

Ao receber o lote, a operadora devolve um número de protocolo com a relação das guias recebidas. Guarde esse protocolo: ele é a prova de que você enviou e de quando enviou. Depois vem o demonstrativo de análise de conta, que lista as guias do lote e mostra os itens glosados.

Boas práticas na montagem

  • Separe os lotes por operadora e por competência.
  • Confira no manual da operadora se há limite de guias por lote ou regras de agrupamento.
  • Gere o XML na versão do padrão que a operadora aceita.
  • Não edite o XML à mão depois de gerado. O arquivo tem um código de verificação no final, e qualquer alteração costuma invalidá-lo.
  • Envie pelo canal que a operadora oferece, seja portal ou webservice, e registre data e protocolo.

Na Stenci, as guias de consulta, SP-SADT, honorários e internação são preenchidas a partir do atendimento, conferidas antes do envio e reunidas em lotes com XML no padrão ANS. Veja como funciona em faturamento TISS.

Autorização prévia e senha

Alguns procedimentos só podem ser feitos depois que a operadora autoriza. A RN ANS nº 503/2022 exige que o contrato entre operadora e prestador identifique quais atos, eventos e procedimentos precisam de autorização. Então a lista certa está no seu contrato e no manual da operadora, não em uma regra geral.

Como o pedido é feito

  • Exames, terapias e procedimentos ambulatoriais: pela SP-SADT.
  • Internação: pela guia de solicitação de internação, e pela de prorrogação quando for preciso estender.
  • OPME, quimioterapia e radioterapia: pelos anexos de solicitação.

O que conferir na senha

Quando a operadora autoriza, ela emite uma senha. Na cobrança, confira:

  • se a senha foi informada na guia;
  • se a data do atendimento está dentro da validade da senha;
  • se o código e a quantidade cobrados são os mesmos que foram autorizados.

O melhor momento para resolver a autorização é o agendamento. Marque no cadastro quais procedimentos exigem senha em cada convênio, peça a autorização assim que o exame for marcado e registre a senha junto do agendamento.

Prazos de envio

Não existe um prazo único de envio para todas as operadoras. A Lei 9.656/1998, no art. 17-A, obriga a relação entre operadora e prestador a ser formalizada em contrato escrito. A RN ANS nº 503/2022 exige que esse contrato traga os prazos e procedimentos para faturamento e pagamento, as hipóteses de glosa e os prazos para contestá-la.

Na prática, cada contrato tem sua data de corte, seu prazo para apresentar as contas e seu prazo de pagamento. Monte um calendário por operadora com:

  • data de fechamento da competência;
  • data limite de envio do lote;
  • prazo de pagamento;
  • prazo para recurso de glosa.

A ANS abriu em 2026 a Consulta Pública nº 170, com uma proposta de norma que substitui as RN 503 e 512 e reúne regras de contrato, faturamento, glosa e reajuste. Até a nova resolução ser publicada, as regras atuais continuam valendo. Se tiver dúvida sobre um prazo específico, confirme no contrato ou com a operadora.

Se você está começando a atender convênios, o artigo sobre como credenciar a clínica em convênios mostra o que negociar antes de assinar. Na Stenci, os planos Plus e Premium atendem convênio, mas só o Premium gera guias e lotes TISS. Compare nos planos.

Para entender os códigos que vão em cada guia, veja o que são a tabela TUSS e a CBHPM.

Conclusão

Faturar bem começa por escolher a guia certa: consulta para consulta eletiva, SP-SADT para exames e procedimentos fora da internação, solicitação e resumo para internação, honorários quando o profissional cobra direto e o anexo de outras despesas para materiais e taxas. Depois vêm os campos que mais erram, o vínculo entre guias, o lote com protocolo guardado, a senha conferida e o calendário de envio por operadora. Se quiser ver as guias sendo geradas a partir do atendimento, agende uma demonstração.

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