Faturamento

Tabela TUSS e CBHPM: o que são e qual a diferença

Entenda a diferença entre a tabela TUSS e a CBHPM, quem mantém cada uma, como o valor é definido no contrato com o convênio e o que cuidar ao cadastrar.

Equipe Stenci27 de maio de 20267 min de leitura

A TUSS e a CBHPM respondem a perguntas diferentes. A TUSS, mantida pela ANS, diz como chamar e codificar cada procedimento, material, medicamento ou taxa na troca de informações com os planos de saúde. A CBHPM, publicada pela Associação Médica Brasileira (AMB), classifica os procedimentos médicos por complexidade e traz uma referência de remuneração. Quanto a clínica recebe de fato não sai de nenhuma das duas sozinha: sai do contrato com cada operadora. Neste artigo você vê o que é cada tabela, a diferença entre elas, como portes e UCO funcionam em linhas gerais, como o valor é definido no contrato e o que cuidar ao cadastrar procedimentos no sistema.

O que é a TUSS

TUSS é a Terminologia Unificada da Saúde Suplementar. Ela faz parte do padrão TISS, o padrão obrigatório da ANS para a troca de dados entre prestadores e operadoras, definido pela Resolução Normativa ANS nº 501/2022. Pela norma, cabe à ANS estabelecer a TUSS e suas atualizações.

Na prática, a TUSS é um dicionário. Cada termo tem:

  • código numérico atribuído pela ANS;
  • nome do termo e descrição detalhada;
  • data de início e de fim de vigência;
  • data limite para implantação.

As tabelas principais

A TUSS é dividida em várias tabelas. As que mais aparecem no faturamento de uma clínica são:

Tabela Conteúdo
18 Diárias, taxas e gases medicinais
19 Materiais e OPME
20 Medicamentos
22 Procedimentos e eventos em saúde
38 Mensagens, como motivos de glosa e negativa

A tabela 22 é a que você usa para consultas, exames e procedimentos. A 38 é a que aparece no demonstrativo quando a operadora glosa um item.

O que a TUSS não faz

A TUSS não diz quanto um procedimento vale. Ela também não define cobertura: estar na TUSS não quer dizer que o plano é obrigado a cobrir. A cobertura mínima segue o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS e o contrato do plano.

Outro ponto útil para a recepção: o próprio padrão TISS diz que a operadora não pode negar, condicionar ou adiar um atendimento alegando falta de código TUSS, nem exigir que o beneficiário informe o código. Codificar é tarefa da operadora e do prestador, não do paciente.

Como a TUSS muda

Pedidos de inclusão e alteração passam pelo Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS), que reúne representantes do setor. A ANS publica as atualizações junto com as versões do padrão TISS. Por isso, um código pode ganhar data de fim de vigência e ser substituído por outro.

O que é a CBHPM

CBHPM é a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos. Segundo a AMB, ela consolida e classifica, de forma hierarquizada, os procedimentos da medicina brasileira, abrange todas as especialidades e estabelece um padrão mínimo aceitável para a remuneração do médico.

A CBHPM é mantida pela AMB, com uma câmara técnica permanente e as sociedades de especialidade. As mudanças entre edições saem em resoluções normativas da Comissão Nacional de Honorários Médicos. O site da AMB informa que a edição mais recente é a referente a 2022. A publicação é vendida pela própria associação.

Os códigos da CBHPM têm pontos e um dígito verificador, no formato 1.01.01.01-2. Na TUSS o código é numérico, sem pontos.

A CBHPM não é lei nem norma da ANS. Ela é uma referência. Só vale para o seu faturamento se o contrato com a operadora disser que vale.

Portes e UCO em linhas gerais

A CBHPM não traz um preço pronto em reais para cada procedimento. Ela atribui a cada um alguns componentes:

  • Porte. Representa o honorário do médico e é indicado por número e letra, como 3B ou 8A. Quanto maior, mais complexo o procedimento.
  • Custo operacional. Expresso em UCO (unidade de custo operacional), cobre custos como o uso de equipamento. Nem todo procedimento tem.
  • Porte anestésico. Indica o honorário do anestesista, quando há anestesia.
  • Número de auxiliares. Quantos auxiliares o procedimento prevê.

O valor em reais sai da multiplicação desses componentes pelo valor de cada porte e de cada UCO. A AMB publica valores de referência, mas o que vale para você é o que o contrato definir. Não use a lógica de portes de cabeça: as instruções gerais da CBHPM têm regras para situações como procedimentos múltiplos, e o contrato pode mudar a forma de aplicar.

TUSS e CBHPM: a diferença lado a lado

TUSS CBHPM
Quem mantém ANS AMB
O que é Terminologia com códigos e nomes Classificação hierarquizada com referência de remuneração
O que abrange Procedimentos, materiais, medicamentos, diárias, taxas e mensagens Procedimentos médicos
Obrigatoriedade Obrigatória na troca de informações pelo padrão TISS Referência, usada quando o contrato adota
Define valor Não Traz referência por porte e UCO
Formato do código Numérico Com pontos e dígito

A terminologia de procedimentos da TUSS foi construída com participação da ANS, da AMB e do COPISS, e a CBHPM serviu de base. Por isso as descrições costumam ser parecidas. Mesmo assim, nem todo termo tem correspondência direta, porque a TUSS inclui procedimentos de outras profissões de saúde. Na guia, o que vai é sempre o código TUSS vigente.

Como a tabela de valores é definida no contrato

A Lei 9.656/1998, no art. 17-A, obriga operadoras e prestadores a formalizar a relação em contrato escrito. A RN ANS nº 503/2022 detalha o que esse contrato precisa ter, incluindo os serviços contratados identificados pela TUSS, os valores, os prazos de faturamento e pagamento e os critérios de reajuste, que deve ser anual.

Formas comuns de definir o valor

  • CBHPM como referência. O contrato cita uma edição e aplica um percentual sobre os portes e a UCO.
  • Tabela própria da operadora. A operadora tem sua lista de valores por código.
  • Valor fixo por procedimento. Cada código TUSS tem um valor combinado.
  • Pacote. Um valor fechado que inclui procedimento, taxas e materiais definidos.

Muitas vezes o contrato mistura essas formas: consultas com valor fixo, procedimentos pela CBHPM e alguns pacotes.

O que o contrato precisa deixar claro

  • Qual tabela vale para cada grupo de procedimentos.
  • Qual edição da CBHPM, se for o caso, e qual percentual.
  • Quanto vale o porte e a UCO, ou onde esse valor está.
  • O que está dentro de cada pacote.
  • A data e o critério do reajuste.

Uma edição nova da CBHPM não muda sozinha o seu contrato. Se o contrato cita uma edição específica, é ela que vale até as partes combinarem outra. Na dúvida, confirme com a operadora por escrito.

A ANS abriu em 2026 a Consulta Pública nº 170, com uma proposta de norma que substitui as RN 503 e 512. Até a nova resolução ser publicada, as regras atuais continuam valendo. Para saber o que negociar antes de assinar, veja o artigo sobre como credenciar a clínica em convênios.

Cuidados ao cadastrar procedimentos no sistema

A tabela cadastrada no sistema é de onde sai cada guia. Um código ou valor errado no cadastro se repete em todas as contas até alguém perceber.

Código e descrição

  • Use o código TUSS vigente da tabela certa: 22 para procedimentos, 19 para materiais, 20 para medicamentos, 18 para taxas e diárias.
  • Confira a data de fim de vigência. Código encerrado precisa ser trocado pelo substituto.
  • Mantenha a descrição igual à da TUSS para facilitar a conferência.

Valores por convênio

  • Tenha uma tabela de preços por contrato. O mesmo procedimento pode valer diferente em cada operadora.
  • Registre a data de início de cada valor. No reajuste, crie a nova vigência sem apagar a anterior, para as guias antigas continuarem certas.
  • Se o contrato é pela CBHPM, anote a edição, o percentual e o valor da UCO usados no cálculo.
  • Separe a tabela particular das tabelas de convênio.

Pacotes e itens

  • Cadastre o pacote com a lista do que ele inclui.
  • Não cobre separado um item que já está dentro do pacote.
  • Materiais e medicamentos seguem a referência definida no contrato.

Revisão

  • Revise as tabelas a cada renovação ou reajuste de contrato.
  • Defina quem pode alterar preço no sistema.
  • Depois de mudar uma tabela, gere uma guia de teste e compare com o contrato.

Cadastro certo aparece na guia. Na Stenci, o faturamento TISS preenche as guias a partir do atendimento e permite conferir cada uma antes do envio, o momento de pegar código ou valor fora do contrato. Os valores faturados também alimentam o repasse médico, então um preço errado pesa duas vezes. E se a glosa já aconteceu, veja como evitar glosas no faturamento TISS.

Para ver onde esses códigos entram no faturamento, leia o artigo sobre tipos de guia TISS e como preencher.

Conclusão

A TUSS dá o código, a CBHPM dá uma referência de remuneração e o contrato define quanto a clínica recebe. Entender essa divisão evita dois erros comuns: achar que a TUSS tem preço e achar que uma edição nova da CBHPM muda o contrato sozinha. Com códigos vigentes, uma tabela de preços por operadora e revisão a cada reajuste, as guias saem certas desde o cadastro. Para ver como isso funciona com os seus convênios, agende uma demonstração.

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